quarta-feira, 3 de junho de 2009

Continuidades do debate público: abrangência e presença na área da organização comunitária

Este comentário de ombudsman circula excepcionalmente na quarta-feira e pretende avaliar a semana de 24 a 30 de maio, mas também faz breves apontamentos com base no balanço da produção do Portal Comunitário no mês de maio. Vários leitores escreveram ao ombudsman ou comentaram no blog cobrando atualização (prevista sempre para segunda-feira), o que além de legítimo é bom sinal de respaldo junto aos interlocutores, produtores diretos ou não.
Variações e sugestivos desdobramentos da cobertura na última semana de maio
Um indício de retorno sobre as avaliações feitas neste espaço e que reforçam o caráter produtivo aqui defendido para a crítica de mídia é a visível melhora na exploração de links nas matérias da última semana.
Bom exemplo disso é a matéria de quarta-feira sobre estratégias de visibilidade do Fórum Social em Defesa de Políticas Públicas. O recurso de links possibilita a leitura do histórico do acontecimento em diferentes frentes – é possível relembrar assim, por tabela, o aumento no transporte coletivo, as origens da polêmica sobre a controversa implantação do novo aterro e o próprio lançamento do Fórum Social.
Em outras palavras, numa linha muito diferente das acusações simplistas que desacreditam qualquer política ou forma de organização social em função da suposta falta de envolvimento ou encanto popular, o Portal vai montando, a seu modo, um pouco da história (relativamente recente) das diversas entidades de atuação de interesse coletivo em Ponta Grossa. E isso implica registrar, recuperar e acompanhar a trajetória dos acontecimentos, em alguns casos até sinalizando possíveis desdobramentos.
É assim com a questão do lixo, em que a preocupação legítima com novos impactos e danos ambientais pode orientar diversas pautas que retratem mas também projetem o debate público. Afinal, isso tem a ver com qualidade de vida aos moradores. E, para aproveitar outro jargão, sempre há uma comunidade mais próxima do problema que ‘paga o pato’ por decisões apressadas...
O acompanhamento continuado da questão do novo aterro – e o tema da produção e destinação do lixo na cidade – pede, por parte das equipes de reportagem, agilidade no retrabalhar de pautas e investidas em dados históricos (do fenômeno e também do arquivo de matérias e declarações ou promessas). Em contrapartida, o que se oferece ao leitor é algo bem diferente daquela improdutiva visão, a essa altura, de que ‘não vai dar em nada’, ‘não adianta fazer nada pois já está decidido’. Com a vida pública, quase tudo está ainda por se decidir, melhor assim.
Acerta o Portal, portanto, quando não deixa morrer temas caros demais ao bem-estar coletivo. Pode variar a angulação, mas o tema vai sendo quase que didaticamente esmiuçado – quando é indicado o elo entre as partes do acontecimento. Nesse sentido, uma das pautas ‘quicando na área’, na ponta do consumidor, é a questão da separação e reciclagem do lixo, ainda muito tímida por esses lados (como hábito e também política pública urgente).
Um mapa da várzea ponta-grossense é possível?
Enquanto um periódico da cidade estampa foto oficialesca do secretariado municipal no gramado do Germano Krüger aguardando anúncio de PG como sub-sede da Copa de 2014, lembro que o Portal tratou na segunda-feira (25) oportunamente de um campo de futebol que nem gramado ou saibro tem, conforme alegam os moradores/praticantes da Vila Ricci. A voz oficial ouvida pela reportagem curiosamente joga a responsabilidade pela manutenção do espaço aos próprios moradores.
Caberia estender o debate sobre até onde podem atuar cidadãos e poder público para a resolução de um problema simples: manutenção de espaços de lazer nos bairros com um mínimo de segurança e conforto.
Em termos de desdobramento temático, a matéria aguça a curiosidade do leitor para ‘campinhos’ espalhados pelos bairros onde o espaço funciona bem e a turma se encontra no fim de semana. Ainda mais provocativo e jornalístico do que certos enfoques sobre esporte que lemos por aí seria pensar em uma agenda dos jogos de várzea ou de pequenos campeonatos.
Nos dois casos, da matéria sobre um campinho em situação de abandono e da possível acompanhamento de jogos pelos bairros, um dos recursos (gratuitos) que a web possibilita é linkar ou acoplar um mapa que indique onde estão precisamente tais locais.
Notícias digitais da Câmara
A semana passada contou com atualização da seção Notícias da Câmara, com válida matéria sobre a pouca utilização da internet por representantes do legislativo para divulgação de projetos e ações. Por mais que uma das fontes diga que o site da Câmara é “inoperante” – realmente deixa a desejar em vários aspectos -, valeria mencionar serviços que estão ali disponíveis ao cidadão. É possível fazer buscas e consultar leis, além de encontrar atas das sessões e o regimento interno da casa. Há pouquíssimo tempo, era preciso ir até a Câmara para retirar fotocópia de tais documentos (públicos) quando necessário. Então vale o registro.
Para onde olhou e nos levou o Portal no mês de maio
Já foi dito aqui sobre o forte ritmo de publicação que o portal imprime para uma produção laboratorial - em maio a média foi de praticamente uma matéria por dia (o que rendeu quatro correções em ‘Erramos’). Há um ganho por parte do leitor, que pode desenvolver afinidades com o espaço e o costume de leitura continuada. Há também aprendizados interessantes na produção quando se trabalha com prazos determinados capazes de garantir tal atualização. Nesse sentido, trata-se de uma inovação em relação às formas de promover comunicação comunitária (nem sempre tão sistemáticas assim, por motivos diversos).
Ainda assim, um dos problemas que precisa ser resolvido é o retrabalhar de fontes. Na semana passada, a matéria sobre a Jornada de Agroecologia, na sexta-feira, ouve apenas o MST. Poderia contar com mais envolvidos/interessados – até para uma visão mais ampla sobre o evento, que pareceu importante – apesar da leitura limitada do texto. Outro problema residual nas matérias do mês é a padronização de valores (R$ ou reais?) e números (15 ou quinze?).
Uma das opções de navegação pelo Portal é acessar as matérias, no lado esquerdo, a partir dos temas, entidades, sindicatos e bairros – como se fossem as editorias de um jornal (que direcionam, aliás, a leitura, mas também a produção).
Bairros
A tomar por tais categorias, o bairro que mais recebeu matérias em maio foi o Jardim Carvalho (2), seguido de Boa Vista (1), Contorno (1), Órfãs (1) e Colônia Dona Luiza (1). Não aparecem matérias do maio referentes aos bairros Estrela, Neves, Nova Rússia, Oficinas, Olarias e Uvaranas.
Sindicatos
Entre os sindicatos, os que mais arquivaram matérias (2) de maio foram SindServ, Sindehtur e Comerciários. Vigilantes, Metalúrgico, Correios, Asseio e Conservação e APP ficaram com uma citação cada. Não receberam cobertura Frentistas, SindBeb, Bancários e Aposentados.
Entidades
Muito em função das discussões sobre o novo aterro, estiveram à frente na cobertura do mês de maio, por entidade, o Fórum Social (3) e o Grupo Fauna (3). Com duas menções aparecem Grupo Reviver e Apedevi. As entidades Você consegue e Obesos Alerta tiveram uma matéria relacionada cada. Uampg, Movimento Hip Hop, Ilê de Bamba, Grupo Renascer, Apedef e ADFPG não tiveram matérias.
Reportagens da semana
Quando clica nas opções abaixo de Reportagem, na barra da lateral esquerda, o leitor pode estranhar pela pouca quantidade de textos por temas. Na verdade, percebe-se então que ali estão arquivadas apenas as reportagens especiais (da semana). Foram duas sobre educação, uma sobre sociedade civil e outra sobre meio ambiente. As outras categorias temáticas são saúde, saneamento, política, esportes, economia e cultura e história.
Rafael Schoenherr

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