A pauta dos riscos à saúde vividos pelos trabalhadores nas empresas metalúrgicas ganhou destaque na última semana no Portal Comunitário. A opção por trabalhar o assunto sob a ótica dos direitos dos trabalhadores permitiu oferecer aos leitores importantes elementos para compreender as dificuldades enfrentadas cotidianamente, diante de condições precárias de trabalho.
As matérias sobre o assunto dão continuidade à proposta da equipe de discutir os problemas enfrentados por determinadas categorias de trabalho – a exemplo da cobertura sobre os frentistas, publicada recentemente no Portal -, ouvindo os trabalhadores e suas entidades representativas. A iniciativa de discutir o assunto constitui uma importante forma de chamar a atenção para problemas que permanecem invisíveis e, lamentavelmente, afetam muitos trabalhadores que convivem com a insegurança e pagam um preço alto pela sua saúde. Um tema, sem dúvida, de absoluta relevância social!
O enfoque das matérias privilegiou os casos de trabalhadores que foram vítimas de acidentes de trabalho, através das histórias de Rogério e Gelson, que revelam o impacto destes acontecimentos em suas vidas. Também foi mencionada a questão da precariedade da fiscalização das normas de segurança nas empresas e ainda destacadas as leis trabalhistas e os procedimentos que devem ser tomados em caso de acidente. Na reportagem em vídeo, que constitui um importante recurso no trabalho jornalístico do Portal, esta também foi a abordagem adotada.
Mas, além destes aspectos, o que os leitores poderiam esperar da cobertura jornalística sobre o referido tema? A resposta está no próprio editorial do Portal, que trouxe a seguinte frase: “O descaso do Ministério existe, as falcatruas dos empregadores se manifestam e os principais afetados se omitem diante da situação (por causa da sua posição desfavorável)”. Ora, estas questões não foram trabalhadas nas matérias, e certamente poderiam embasar melhor a discussão. Como caracterizar o descaso do Ministério do Trabalho sobre o assunto? Como os empregadores entendem este problema? Que compromissos assumem ou deixam de assumir? Por que os trabalhadores se omitem e não denunciam as irregularidades nas empresas? O editorial suscita estas questões, que não são mencionadas na reportagem.
Além disso, ainda segundo o editorial, o sindicato defende o fim do pagamento da insalubridade, para acabar com os ambientes de risco, enquanto os metalúrgicos necessitam deste valor (que compreende, em média, 20% do salário) para uma remuneração um pouco melhor. Mas esta polêmica não foi abordada na cobertura jornalística, deixando um vazio sobre o assunto.
Por Karina Janz Woitowicz
sábado, 29 de novembro de 2008
Diversidade de fontes
O comentário de Miudinho, adicionado à reportagem sobre os acidentes de trabalho, é ilustrativo da importância de dar visibilidade aos riscos e às precárias condições de trabalho dos metalúrgicos, pois esta é uma maneira de denunciar a falta de comprometimento dos empregadores com a saúde dos trabalhadores. O leitor toma o exemplo do acidente que ocorreu com Rogério, seu colega de trabalho, para trazer um elemento precioso para o debate: a informação de que, em quase quatro anos que trabalham juntos, nunca viram qualquer treinamento para assumir atividades de risco, como a de brigadista.
Ouvir outros trabalhadores que, como o leitor acima, convivem com a insegurança, poderia contribuir para explorar melhor o assunto, oferecendo mais elementos sobre os riscos e dificuldades do ofício e sobre o descaso das empresas com a saúde dos funcionários. Do mesmo modo, ouvir empregadores – mesmo quando a intenção é dar voz aos trabalhadores – pode render uma boa complementação do trabalho de reportagem, permitindo apontar certas contradições, ou contrapor informações. Fica a dica, para trabalhos futuros!
Por Karina Janz Woitowicz
Ouvir outros trabalhadores que, como o leitor acima, convivem com a insegurança, poderia contribuir para explorar melhor o assunto, oferecendo mais elementos sobre os riscos e dificuldades do ofício e sobre o descaso das empresas com a saúde dos funcionários. Do mesmo modo, ouvir empregadores – mesmo quando a intenção é dar voz aos trabalhadores – pode render uma boa complementação do trabalho de reportagem, permitindo apontar certas contradições, ou contrapor informações. Fica a dica, para trabalhos futuros!
Por Karina Janz Woitowicz
Um detalhe!
Na matéria “Leis asseguram direitos trabalhistas em caso de acidentes de trabalho”, há um problema na relação entre texto e imagem. A fonte citada é uma advogada trabalhista, mas a foto publicada é do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, entrevistado que aparece em dois links para matérias complementares (sobre a Comunicação de Acidente de Trabalho e a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), mas não é citado no texto principal. Ou seja, o leitor fica sem saber, em um primeiro momento, quem ele é (e a legenda da foto, em que só consta seu primeiro nome, também não ajuda a situar a informação).
Por Karina Janz Woitowicz
Por Karina Janz Woitowicz
A vez da comunidade
Vale destacar que a equipe do Portal está manifestando, através das matérias, uma boa sintonia com as entidades e grupos sociais de Ponta Grossa. Este aspecto se confirma na cobertura dos bairros, em pautas como as conquistas do Jardim Paraíso, que conseguiu a cobertura dos pontos de ônibus e a instalação de rede de esgoto, e a dificuldade de acesso do bairro Pimentel ao Parque Tarobá.
Também está investindo na cobertura de eventos da comunidade – como o festival de hip hop e o encontro de dança para meninas de diversas localidades – e na divulgação de atividades como os cursos promovidos pela Casa da Sopa e a roda feminina de capoeira do grupo Ilê de Bamba. Assuntos como estes conferem ao Portal o seu caráter de prestação de serviço e comprometimento com os interesses comunitários.
Por Karina Janz Woitowicz
Também está investindo na cobertura de eventos da comunidade – como o festival de hip hop e o encontro de dança para meninas de diversas localidades – e na divulgação de atividades como os cursos promovidos pela Casa da Sopa e a roda feminina de capoeira do grupo Ilê de Bamba. Assuntos como estes conferem ao Portal o seu caráter de prestação de serviço e comprometimento com os interesses comunitários.
Por Karina Janz Woitowicz
Reportagens em vídeo
Na última semana, alguns textos publicados no Portal Comunitário vieram acompanhados de reportagens em vídeo. É o caso das matérias sobre os acidentes de trabalho nas empresas metalúrgicas e o festival de hip hop em Ponta Grossa. Este é um importante recurso incorporado pela equipe, que demonstra a amplitude do trabalho desenvolvido pelos alunos, que passam a disponibilizar outros formatos de produção jornalística por meio do site.
Vencidas algumas dificuldades técnicas enfrentadas no projeto para disponibilizar estes materiais em vídeo, o Portal passa a oferecer outras informações e olhares aos leitores. Este é mais um indício do aprimoramento do trabalho desenvolvido no projeto, que merece o nosso reconhecimento.
Por Karina Janz Woitowicz
Vencidas algumas dificuldades técnicas enfrentadas no projeto para disponibilizar estes materiais em vídeo, o Portal passa a oferecer outras informações e olhares aos leitores. Este é mais um indício do aprimoramento do trabalho desenvolvido no projeto, que merece o nosso reconhecimento.
Por Karina Janz Woitowicz
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Direitos sociais e cidadania na pauta do Portal Comunitário
Nesta última semana, o Portal contou com matérias relacionadas às entidades e movimentos sociais de Ponta Grossa (Sindicato dos Comerciários, Grupo Fauna, Acampamento Emiliano Zapata, para citar alguns), mas também investiu em uma abordagem jornalística ancorada na noção de cidadania, ao publicar uma série de reportagens sobre a (falta de) educação infantil no município.
A principal matéria da semana, “Poder público oferta vagas insuficientes na educação infantil”, foi acompanhada de dados, relatos, informações e enfoques que valorizaram o trabalho de reportagem. A equipe conseguiu fazer uma boa contextualização do problema, apresentando aos leitores elementos preocupantes sobre o assunto. Por exemplo, somente 52% das crianças são atendidas na educação infantil em Ponta Grossa. E 200 pessoas aguardam na lista de espera por uma vaga na creche do Jardim Carvalho, que atende pouco mais de 100 pessoas, o que é bastante ilustrativo desta situação de precariedade na oferta de vagas.
Outros textos sobre este assunto reforçam a obrigação do poder público municipal no que diz respeito ao acesso à educação infantil, problema que atinge principalmente as famílias de baixa renda. Este compromisso é destacado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação e no Estatuto da Criança e do Adolescente, que são trazidos no Portal Comunitário para mostrar que o Plano Nacional de Educação tem muito para avançar em termos de oferta na educação infantil, pois o direito de acesso à escola não é uma realidade para grande parte da população. Há, portanto, uma dívida do poder público municipal com 48% das crianças de 0 a 6 anos, que estão sendo privadas do direito de contar com um espaço adequado para seu desenvolvimento.
Diante disso, a Secretaria Municipal de Educação foi ouvida e, além da informação de que existem 54 CEIs e CEMEIs na cidade, pouco esclareceu sobre o assunto. Fica visível, pela matéria, que esta não é uma prioridade do poder público, pois se aceita, com certa naturalidade, o fato de que o problema deve persistir por alguns anos ainda...
Assim, a contribuição do Portal está em problematizar o assunto e mostrar o que o descumprimento de um direito social – o acesso à educação infantil – representa na vida de muitas pessoas.
Por Karina Janz Woitowicz
A principal matéria da semana, “Poder público oferta vagas insuficientes na educação infantil”, foi acompanhada de dados, relatos, informações e enfoques que valorizaram o trabalho de reportagem. A equipe conseguiu fazer uma boa contextualização do problema, apresentando aos leitores elementos preocupantes sobre o assunto. Por exemplo, somente 52% das crianças são atendidas na educação infantil em Ponta Grossa. E 200 pessoas aguardam na lista de espera por uma vaga na creche do Jardim Carvalho, que atende pouco mais de 100 pessoas, o que é bastante ilustrativo desta situação de precariedade na oferta de vagas.
Outros textos sobre este assunto reforçam a obrigação do poder público municipal no que diz respeito ao acesso à educação infantil, problema que atinge principalmente as famílias de baixa renda. Este compromisso é destacado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação e no Estatuto da Criança e do Adolescente, que são trazidos no Portal Comunitário para mostrar que o Plano Nacional de Educação tem muito para avançar em termos de oferta na educação infantil, pois o direito de acesso à escola não é uma realidade para grande parte da população. Há, portanto, uma dívida do poder público municipal com 48% das crianças de 0 a 6 anos, que estão sendo privadas do direito de contar com um espaço adequado para seu desenvolvimento.
Diante disso, a Secretaria Municipal de Educação foi ouvida e, além da informação de que existem 54 CEIs e CEMEIs na cidade, pouco esclareceu sobre o assunto. Fica visível, pela matéria, que esta não é uma prioridade do poder público, pois se aceita, com certa naturalidade, o fato de que o problema deve persistir por alguns anos ainda...
Assim, a contribuição do Portal está em problematizar o assunto e mostrar o que o descumprimento de um direito social – o acesso à educação infantil – representa na vida de muitas pessoas.
Por Karina Janz Woitowicz
Algumas lacunas
O Portal trouxe ainda duas matérias que poderiam ser melhor exploradas. No texto sobre trabalho temporário, que é uma pauta que costuma aparecer na mídia nesta época, faltou – além de informações sobre o que representa o trabalho temporário no município, demanda profissional, entre outros elementos – um diferencial. O enfoque da matéria foi o cumprimento ou não das leis trabalhistas em contratos temporários, mas ficou uma lacuna sobre as vantagens e desvantagens para os trabalhadores.
Outra matéria, sobre a medição das terras do acampamento Emiliano Zapata, também deixou escapar alguns detalhes. A idéia de dar continuidade ao tema, abordado em uma matéria realizada anteriormente pela equipe do Portal sobre a regularização do acampamento, é bastante oportuna, pois permite aos leitores o acompanhamento sobre a questão. Porém, como nem todos conhecem o acampamento Emiliano Zapata, faltaram algumas informações básicas, como quantas famílias vivem lá, localização, tempo que estão acampados, como vivem e outros elementos que ajudam a caracterizar a situação e mostrar o que significa a realização do geo-referenciamento, que é o requisito para a compra de terras.
Outro problema é sobre as informações referidas na matéria anterior, que não aparecem na atual. O impasse das diárias do funcionário do Incra, responsável pela medição, é um elemento que não fica claro na matéria (pois exige conhecimento prévio do assunto). E há também um descuido em relação a uma das fontes. Luasses não tem sobrenome, e depois aparece como ouvidor... Só na leitura da matéria relacionada é que conhecemos o entrevistado: Luasses Gonçalves dos Santos, ouvidor agrário do Incra Paraná. É preciso uma atenção a mais para garantir a clareza e a qualidade das informações.
Por Karina Janz Woitowicz
Outra matéria, sobre a medição das terras do acampamento Emiliano Zapata, também deixou escapar alguns detalhes. A idéia de dar continuidade ao tema, abordado em uma matéria realizada anteriormente pela equipe do Portal sobre a regularização do acampamento, é bastante oportuna, pois permite aos leitores o acompanhamento sobre a questão. Porém, como nem todos conhecem o acampamento Emiliano Zapata, faltaram algumas informações básicas, como quantas famílias vivem lá, localização, tempo que estão acampados, como vivem e outros elementos que ajudam a caracterizar a situação e mostrar o que significa a realização do geo-referenciamento, que é o requisito para a compra de terras.
Outro problema é sobre as informações referidas na matéria anterior, que não aparecem na atual. O impasse das diárias do funcionário do Incra, responsável pela medição, é um elemento que não fica claro na matéria (pois exige conhecimento prévio do assunto). E há também um descuido em relação a uma das fontes. Luasses não tem sobrenome, e depois aparece como ouvidor... Só na leitura da matéria relacionada é que conhecemos o entrevistado: Luasses Gonçalves dos Santos, ouvidor agrário do Incra Paraná. É preciso uma atenção a mais para garantir a clareza e a qualidade das informações.
Por Karina Janz Woitowicz
A velha questão: Quem cuida dos filhos, se a mãe trabalha?
Há pelo menos quatro décadas, o movimento de mulheres discute o problema das mulheres trabalhadoras, que enfrentam o dilema de não ter onde deixar os filhos. Lamentavelmente, este ainda é um tema bastante atual, considerando que o cuidado dos filhos - embora se perceba algumas mudanças na organização familiar e na distribuição de papéis - continua sendo uma responsabilidade das mães.
O caso de Erica, mãe de João Vitor, abordado em uma matéria, é ilustrativo disso. Embora se afirme que a prioridade nas creches é para filhos de pais que trabalham (e também para famílias monoparentais), nem mesmo esta demanda é contemplada. Há tempos Erica aguarda por uma vaga e João Vitor brinca no cemitério... Sem falar na falta de berçários, que dificulta consideravelmente o retorno ao trabalho para as mulheres com filhos pequenos.
Porém, embora a equipe do Portal tenha apresentado estes vários aspectos do problema, observo que a abordagem sobre “quem precisa” de creches comprometeu a compreensão sobre o assunto. As matérias falam sobre o direito universal à educação, mas por vezes parece que necessitam de creches apenas as mães que trabalham fora. O risco desta associação está em ignorar que o trabalho doméstico também deve ser reconhecido como um trabalho. Assim, se considerarmos o direito da criança de contar com um espaço de socialização na etapa que antecede a educação básica, a questão sobre “quem precisa” de creches de estende para todas as famílias.
Algumas passagens das matérias podem ilustrar este enfoque: “aceitam crianças de pais que não trabalham”, critica uma das entrevistadas. E a responsável pelo Conselho Tutelar Leste Ponta Grossa chega a afirmar que “quem realmente precisa não procura o conselho” e que “as pessoas sem a real necessidade são as que mais procuram”. Sem problematizar este aspecto, a reportagem ‘embarcou’ neste discurso, prevalecendo para o(a) leitor(a) a impressão de que as creches devem ser para quem ‘realmente precisa’ (como se este critério não fosse questionável...). O risco, neste caso, é deslocar o foco do problema.
Por Karina Janz Woitowicz
O caso de Erica, mãe de João Vitor, abordado em uma matéria, é ilustrativo disso. Embora se afirme que a prioridade nas creches é para filhos de pais que trabalham (e também para famílias monoparentais), nem mesmo esta demanda é contemplada. Há tempos Erica aguarda por uma vaga e João Vitor brinca no cemitério... Sem falar na falta de berçários, que dificulta consideravelmente o retorno ao trabalho para as mulheres com filhos pequenos.
Porém, embora a equipe do Portal tenha apresentado estes vários aspectos do problema, observo que a abordagem sobre “quem precisa” de creches comprometeu a compreensão sobre o assunto. As matérias falam sobre o direito universal à educação, mas por vezes parece que necessitam de creches apenas as mães que trabalham fora. O risco desta associação está em ignorar que o trabalho doméstico também deve ser reconhecido como um trabalho. Assim, se considerarmos o direito da criança de contar com um espaço de socialização na etapa que antecede a educação básica, a questão sobre “quem precisa” de creches de estende para todas as famílias.
Algumas passagens das matérias podem ilustrar este enfoque: “aceitam crianças de pais que não trabalham”, critica uma das entrevistadas. E a responsável pelo Conselho Tutelar Leste Ponta Grossa chega a afirmar que “quem realmente precisa não procura o conselho” e que “as pessoas sem a real necessidade são as que mais procuram”. Sem problematizar este aspecto, a reportagem ‘embarcou’ neste discurso, prevalecendo para o(a) leitor(a) a impressão de que as creches devem ser para quem ‘realmente precisa’ (como se este critério não fosse questionável...). O risco, neste caso, é deslocar o foco do problema.
Por Karina Janz Woitowicz
Novidade: representante do leitor
Desde o último final de semana, os leitores e leitoras do Portal Comunitário passaram a contar com um espaço a mais de diálogo. Este blog, “Representante do leitor”, se propõe a servir como um canal de comunicação com a equipe do Portal, em que se busca uma maior participação dos leitores através de críticas, comentários e sugestões sobre o trabalho realizado.
Os comentários que aparecem neste espaço dizem respeito às minhas impressões sobre o jornalismo comunitário desenvolvido no projeto e, portanto, podem ser entendidos como uma leitura parcial e limitada do conteúdo. Por isso, contribuições de leitores são muito bem vindas, pois trazem outras percepções sobre o trabalho da equipe.
Por Karina Janz Woitowicz
Os comentários que aparecem neste espaço dizem respeito às minhas impressões sobre o jornalismo comunitário desenvolvido no projeto e, portanto, podem ser entendidos como uma leitura parcial e limitada do conteúdo. Por isso, contribuições de leitores são muito bem vindas, pois trazem outras percepções sobre o trabalho da equipe.
Por Karina Janz Woitowicz
sábado, 15 de novembro de 2008
Em busca dos princípios da Comunicação Comunitária
Desde que o Portal Comunitário está no ar, percebe-se a preocupação da equipe em desenvolver um modo próprio de trabalhar com as informações, tendo em vista a valorização dos interesses da comunidade.
E, como não existe uma fórmula pronta e acabada para se fazer comunicação comunitária, a descoberta se deu pela experimentação.
Do contato com entidades e movimentos sociais de Ponta Grossa surgiram pautas, idéias e produções diversas, que compõem o conjunto de matérias publicadas no site.
Passados três meses de trabalho, pode-se dizer que a equipe está conseguindo imprimir uma cara própria e encontrou nos princípios da comunicação comunitária uma forma diferenciada de fazer jornalismo, tendo como foco principal os grupos e atores sociais marginalizados.
São os problemas cotidianos enfrentados pelas pessoas, no seu bairro ou no trabalho, que ganham visibilidade através do Portal, mostrando que assuntos que não costumam ser tratados nos meios de comunicação constituem uma fonte inesgotável de temas que merecem ser discutidos em profundidade.
É a comunicação comprometida com a dimensão da cidadania.
E, como não existe uma fórmula pronta e acabada para se fazer comunicação comunitária, a descoberta se deu pela experimentação.
Do contato com entidades e movimentos sociais de Ponta Grossa surgiram pautas, idéias e produções diversas, que compõem o conjunto de matérias publicadas no site.
Passados três meses de trabalho, pode-se dizer que a equipe está conseguindo imprimir uma cara própria e encontrou nos princípios da comunicação comunitária uma forma diferenciada de fazer jornalismo, tendo como foco principal os grupos e atores sociais marginalizados.
São os problemas cotidianos enfrentados pelas pessoas, no seu bairro ou no trabalho, que ganham visibilidade através do Portal, mostrando que assuntos que não costumam ser tratados nos meios de comunicação constituem uma fonte inesgotável de temas que merecem ser discutidos em profundidade.
É a comunicação comprometida com a dimensão da cidadania.
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Reportagem da semana
A reportagem publicada na última semana sobre o trabalho dos frentistas é uma demonstração do compromisso com os princípios da comunicação comunitária.
A opção de enfoque é clara: a voz é dos trabalhadores, que enfrentam uma série de riscos e dificuldades na sua atividade.
As matérias sobre o tema abordam diversos aspectos, como condições de trabalho, riscos de doenças, prevenção, informações do sindicato da categoria, questões trabalhistas e relatos de frentistas.
O recurso do hipertexto é bem explorado, permitindo o acesso a informações complementares ao assunto e, inclusive, a dados referentes ao benzeno, de forma didática. Assim, o conjunto de textos trabalha o assunto em profundidade, buscando incentivar a participação das pessoas e chamar a atenção para um problema que permanece praticamente invisível.
A equipe acertou na escolha do assunto e no tratamento das informações, que estão bem orientadas na perspectiva da comunicação comunitária.
Observo apenas que a repetição de informações nas matérias poderia ser evitada, tornando o texto mais enxuto, e que seria válido ouvir também os patrões em uma das matérias, para saber se têm conhecimento sobre as orientações de segurança no trabalho dos frentistas.
De certa forma, este elemento poderia mostrar o comprometimento (ou não) com as condições de trabalho dos empregados.
E lamento que o vídeo da matéria não esteja acessível (não consegui visualizar no meu computador), pois seria um recurso a mais para valorizar o assunto. Imagino que este seja um dos possíveis limites técnicos enfrentados no desenvolvimento do projeto, mas vale chamar a atenção para o problema.
Sem dúvida, esta reportagem motiva uma série de outras, envolvendo diversas categorias de trabalho. Pelo comentário adicionado à matéria, dizendo que infelizmente a baixa remuneração é uma realidade de muitos trabalhadores (como os professores, lembrados pelo/a leitor/a), pode-se projetar a realização de diversas outras pautas com esta abordagem, a partir da interação do Portal com os sindicatos locais.
Por Karina Janz Woitowicz
A opção de enfoque é clara: a voz é dos trabalhadores, que enfrentam uma série de riscos e dificuldades na sua atividade.
As matérias sobre o tema abordam diversos aspectos, como condições de trabalho, riscos de doenças, prevenção, informações do sindicato da categoria, questões trabalhistas e relatos de frentistas.
O recurso do hipertexto é bem explorado, permitindo o acesso a informações complementares ao assunto e, inclusive, a dados referentes ao benzeno, de forma didática. Assim, o conjunto de textos trabalha o assunto em profundidade, buscando incentivar a participação das pessoas e chamar a atenção para um problema que permanece praticamente invisível.
A equipe acertou na escolha do assunto e no tratamento das informações, que estão bem orientadas na perspectiva da comunicação comunitária.
Observo apenas que a repetição de informações nas matérias poderia ser evitada, tornando o texto mais enxuto, e que seria válido ouvir também os patrões em uma das matérias, para saber se têm conhecimento sobre as orientações de segurança no trabalho dos frentistas.
De certa forma, este elemento poderia mostrar o comprometimento (ou não) com as condições de trabalho dos empregados.
E lamento que o vídeo da matéria não esteja acessível (não consegui visualizar no meu computador), pois seria um recurso a mais para valorizar o assunto. Imagino que este seja um dos possíveis limites técnicos enfrentados no desenvolvimento do projeto, mas vale chamar a atenção para o problema.
Sem dúvida, esta reportagem motiva uma série de outras, envolvendo diversas categorias de trabalho. Pelo comentário adicionado à matéria, dizendo que infelizmente a baixa remuneração é uma realidade de muitos trabalhadores (como os professores, lembrados pelo/a leitor/a), pode-se projetar a realização de diversas outras pautas com esta abordagem, a partir da interação do Portal com os sindicatos locais.
Por Karina Janz Woitowicz
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Comunidade em pauta
Os demais temas publicados nos últimos dias no Portal Comunitário também reforçam as potencialidades de trabalhar com o local e de transformar o cotidiano em notícia de interesse público.
Pautas como o projeto de alfabetização nos bairros, a realização de testes de visão no Jardim Paraíso, a participação do grupo do Jardim Esplanada no Encontro da Terceira Idade realizado no município e as condições precárias das ruas do bairro Olarias (este último, tema recorrente nas matérias do Portal) evidenciam a aproximação dos estudantes que integram o projeto com as demandas da comunidade.
Também é interessante destacar a elaboração de matérias como a de Seu Alfredo, do Jardim Carvalho, que valorizam personagens e histórias de vida. Além de representar uma forma de construção da memória local (devendo, para tanto, acrescentar elementos e informações sobre os respectivos bairros), textos assim permitem pensar o jornalismo para além do factual.
Não tenho dúvida de que há muitos personagens interessantes, que poderiam contar a história dos bairros através de sua trajetória. Este pode ser um eixo a ser trabalhado pela equipe do Portal, de modo a contribuir para o registro da história das comunidades.
Vale observar que algumas matérias utilizaram melhor o recurso de imagens (como a das ruas de Olarias), mas esta ainda é uma potencialidade a ser explorada pela equipe. E, se for possível contar com a participação da comunidade neste processo, o reconhecimento de lugares e situações e a interação com as pessoas se potencializa.
Este pode ser um desafio importante a ser conquistado pelo Portal, que trará uma atuação mais intensa e direta da comunidade na divulgação de informações.
E, sobre a seção “Erramos”, é importante mencionar que as correções apontadas recentemente na matéria publicada sobre o Grupo Fauna conferem transparência ao trabalho.
É claro que se espera utilizar cada vez menos este espaço, mas como eventuais erros são comuns, a necessidade de reconhecê-los representa o compromisso com a qualidade da informação. Que não haja receio de usar este espaço, sempre que necessário, para os devidos esclarecimentos.
Pautas como o projeto de alfabetização nos bairros, a realização de testes de visão no Jardim Paraíso, a participação do grupo do Jardim Esplanada no Encontro da Terceira Idade realizado no município e as condições precárias das ruas do bairro Olarias (este último, tema recorrente nas matérias do Portal) evidenciam a aproximação dos estudantes que integram o projeto com as demandas da comunidade.
Também é interessante destacar a elaboração de matérias como a de Seu Alfredo, do Jardim Carvalho, que valorizam personagens e histórias de vida. Além de representar uma forma de construção da memória local (devendo, para tanto, acrescentar elementos e informações sobre os respectivos bairros), textos assim permitem pensar o jornalismo para além do factual.
Não tenho dúvida de que há muitos personagens interessantes, que poderiam contar a história dos bairros através de sua trajetória. Este pode ser um eixo a ser trabalhado pela equipe do Portal, de modo a contribuir para o registro da história das comunidades.
Vale observar que algumas matérias utilizaram melhor o recurso de imagens (como a das ruas de Olarias), mas esta ainda é uma potencialidade a ser explorada pela equipe. E, se for possível contar com a participação da comunidade neste processo, o reconhecimento de lugares e situações e a interação com as pessoas se potencializa.
Este pode ser um desafio importante a ser conquistado pelo Portal, que trará uma atuação mais intensa e direta da comunidade na divulgação de informações.
E, sobre a seção “Erramos”, é importante mencionar que as correções apontadas recentemente na matéria publicada sobre o Grupo Fauna conferem transparência ao trabalho.
É claro que se espera utilizar cada vez menos este espaço, mas como eventuais erros são comuns, a necessidade de reconhecê-los representa o compromisso com a qualidade da informação. Que não haja receio de usar este espaço, sempre que necessário, para os devidos esclarecimentos.
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Novos espaços
A seção “Eventos das comunidades”, que traz uma agenda de atividades sociais, esportivas e culturais dos bairros, representa uma forma de valorização do local, na medida em que possibilita a divulgação de informações de interesse das comunidades.
Trata-se de uma forma de prestação de serviço, que permite divulgar pequenos e grandes eventos e iniciativas que acontecem
Também a seção “Como fazer”, que esclarece didaticamente os passos necessários para se registrar no site, foi criada oportunamente pela equipe para facilitar o acesso daqueles que não estão familiarizados com o uso da internet.
É através de propostas como estas e do constante repensar sobre a atividade realizada que o projeto se fortalece, em sintonia com os princípios da comunicação comunitária.
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