A pauta dos riscos à saúde vividos pelos trabalhadores nas empresas metalúrgicas ganhou destaque na última semana no Portal Comunitário. A opção por trabalhar o assunto sob a ótica dos direitos dos trabalhadores permitiu oferecer aos leitores importantes elementos para compreender as dificuldades enfrentadas cotidianamente, diante de condições precárias de trabalho.
As matérias sobre o assunto dão continuidade à proposta da equipe de discutir os problemas enfrentados por determinadas categorias de trabalho – a exemplo da cobertura sobre os frentistas, publicada recentemente no Portal -, ouvindo os trabalhadores e suas entidades representativas. A iniciativa de discutir o assunto constitui uma importante forma de chamar a atenção para problemas que permanecem invisíveis e, lamentavelmente, afetam muitos trabalhadores que convivem com a insegurança e pagam um preço alto pela sua saúde. Um tema, sem dúvida, de absoluta relevância social!
O enfoque das matérias privilegiou os casos de trabalhadores que foram vítimas de acidentes de trabalho, através das histórias de Rogério e Gelson, que revelam o impacto destes acontecimentos em suas vidas. Também foi mencionada a questão da precariedade da fiscalização das normas de segurança nas empresas e ainda destacadas as leis trabalhistas e os procedimentos que devem ser tomados em caso de acidente. Na reportagem em vídeo, que constitui um importante recurso no trabalho jornalístico do Portal, esta também foi a abordagem adotada.
Mas, além destes aspectos, o que os leitores poderiam esperar da cobertura jornalística sobre o referido tema? A resposta está no próprio editorial do Portal, que trouxe a seguinte frase: “O descaso do Ministério existe, as falcatruas dos empregadores se manifestam e os principais afetados se omitem diante da situação (por causa da sua posição desfavorável)”. Ora, estas questões não foram trabalhadas nas matérias, e certamente poderiam embasar melhor a discussão. Como caracterizar o descaso do Ministério do Trabalho sobre o assunto? Como os empregadores entendem este problema? Que compromissos assumem ou deixam de assumir? Por que os trabalhadores se omitem e não denunciam as irregularidades nas empresas? O editorial suscita estas questões, que não são mencionadas na reportagem.
Além disso, ainda segundo o editorial, o sindicato defende o fim do pagamento da insalubridade, para acabar com os ambientes de risco, enquanto os metalúrgicos necessitam deste valor (que compreende, em média, 20% do salário) para uma remuneração um pouco melhor. Mas esta polêmica não foi abordada na cobertura jornalística, deixando um vazio sobre o assunto.
Por Karina Janz Woitowicz
sábado, 29 de novembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Manifeste sua opinião, dúvida ou observação.