sexta-feira, 26 de junho de 2009

Entradas e bandeiras do Portal Comunitário

A notícia dos jornais de Ponta Grossa (veja post anterior) sobre impedimento legal para a construção do novo aterro sanitário na cidade serve de reforço aqui para uma das práticas editorias do Portal Comunitário. O acompanhamento jornalístico de temas e a informação sobre os desdobramentos dos acontecimentos, sem perder de vista conexões entre fatos aparentemente isolados, participa de ampliação do debate popular sobre a questão.

Mas qual a diferença, no caso, da cobertura do Portal em relação aos impressos locais e demais veículos? Uma pista é que a própria orientação comunitária deste espaço laboratorial-extensionista estimula uma leitura das política urbana a partir da sociedade civil, dos movimentos, pesquisadores, professores, profissionais diversos, estudantes, trabalhadores e, de modo ainda mais interessante, dos conselhos e das associações de moradores.

Os dois últimos atores, aliás, quando bem explorados, podem representar novos diferenciais ao Portal (e, por tabela, à formação dos estudantes pelo projeto). Dizer como anda a política municipal significa, nessa lógica, também dizê-la a partir dos vários conselhos municipais, que em diferentes áreas podem funcionar no debate e reformulação de políticas públicas. Claro que não é tão usual quanto pautar preferencialmente a política pelo executivo ou pelo legislativo. Mas justamente por isso valeria novas visitas (e pautas!). Mal sabemos da existência e do funcionamento de alguns.

Em diversos momentos foi a participação de tais conselhos que motivou notícias por aqui, tanto no tema meio ambiente quanto em saúde. O Portal tem méritos, no caso do aterro, em acompanhar as movimentações internas, como reuniões do Condema. E o que o bom funcionamento de conselhos municipais têm a ver com participação comunitária e uma política que melhor reflita as preocupações com qualidade de vida? Aí outra entrada a explorar, seja por reportagem ou demais formas de polemização.

No caso das associações de moradores, o início de um acompanhamento sistemática já começa a render frutos. Como a valiosa informação em duas matérias da semana passada de que festividade em bairro é atividade de alto risco, dados os índices (e também indícios, bem mais valiosos, por vezes) de violência. Isso ficou evidente tanto no Jardim Paraíso, que repensa a possibilidade de realizar festa junina, quanto no Santa Mônica – onde a festa era uma forma de angariar fundos para a necessária (e urgente, pelo que bem aponta a matéria) reforma na sede da associação. Temos então uma questão de segurança pública acompanhada de interesse dos moradores em 'resolver as coisas'.

Para um exercício de contraste, basta consultar, entre as matérias da mesma semana, como um campeonato desportivo pode estimular a integração em certo bairro – quando existe condição mínima para sua realização.

Assumir a bandeira das associações de bairro, numa verdadeira radiografia da situação e atuação desse importante ator social, de modo algum deixa, automaticamente, como se poderia imaginar, os textos parciais ou propagandísticos. Basta não abrir mão da pluralidade na cobertura, entre outroas precauções. Essa estratégia revela-se, aos poucos, uma forma de estímulo, via informação atualizada, à vida comunitária.

Outro ponto destacado no início do texto e que fomenta uma coberta singular do Portal sobre o cenário político é a possibilidade, pelos recursos da web e pela forte periodicidade, de se encaminhar uma leitura capaz de conectar diferentes dimensões ou até momentos de um fato. Links, agendas, matérias, notas informativas e outros recursos ou marcações podem ser interessantes nesse sentido. De momento, vale registrar que tal 'conexão' já começa a se desenhar pela coerência editorial do projeto.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Novidades sobre o aterro, uma das 'bandeiras' do Portal

A imprensa divulgou hoje informação relevante sobre os desdobramentos do caso "novo aterro sanitário", já pautado pelo Portal Comunitário em diferentes momentos. Sempre a partir da ótica dos movimentos organizados, que buscam interferir nas políticas públicas de Ponta Grossa. Confira no próximo post a coluna semanal de ombudsman, que vai se aproveitar da deixa para outras avaliações sobre a cobertura.

JUSTIÇA BARRA ATERRO (Jornal da Manhã)
JF determina paralisação das obras de aterro particular (Diário dos Campos)

O que já foi notícia no Portal sobre o aterro:

Mobilização questiona liberação da construção de aterro sanitário
Novo aterro sanitário de Ponta Grossa recebe críticas na reunião do Comdema
Comdema aprova, com ressalvas, relatórios sobre projeto do aterro sanitário
Reunião do Comdema define prazos para o parecer dos conselheiros

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Formação em Jornalismo e a captura de um enfoque (publicamente relevante) da realidade

Na próxima quarta-feira (17), o Superior Tribunal Federal (STF) deve julgar, após seguidos adiamentos, a obrigatoriedade da formação superior em Jornalismo para exercício da profissão. A questão interessa fundamentalmente à sociedade que se quer bem informada e, portanto, à democracia. Indiretamente, interessa a todos aqueles que trabalham a crítica de mídia (como usuários ou produtores) e, por pressuposto, preocupam-se com a qualidade da informação midiática da atualidade como acesso à cidadania.

Uma das condições para a qualificação das produções jornalísticas é a institucionalização e sólida legitimação do espaço por excelência da crítica e do aprendizado, ou seja, do ambiente de formação superior em Jornalismo. É nesse campo de ensaios (arranjos, composições, desempenhos, escutas, orquestração) que se trabalha a competência e o saber para uma forma muito específica de ver/dizer/fazer cotidianamente o mundo social. De tal forma que a melhor maneira de se defender a liberdade de expressão é zelar pelo espaço público com a produção de um jornalismo orientado pelo interesse coletivo – capaz, assim, de expressar com pluralidade os acontecimentos de uma época e de uma sociedade.

Dado o caráter necessariamente clonflitual e complexo das dinâmicas sociais contemporâneas, é no espaço institucionalizado de desenvolvimento reflexivo de competências específicas e não exclusivamente no desejo individual de se expressar em público que reside a garantia de um profissional capaz de reconhecer demandas públicas de informação e reinventar periodicamente olhares sobre a realidade.

O projeto extensionista-laboratorial do Portal Comunitário é um dos espaços voltados à prática, reflexão e ao aprendizado de um fazer singular – a partir da sintonia com as movimentações comunitárias de Ponta Grossa.

Limites do enfoque (em exame): a psicologia de um drama social

No comentário anterior, assinalei o bom trabalho de pauta da reportagem especial ao buscar, em determinado momento, entender a participação do indivíduo em causas coletivas. Na reportagem desta semana, no entanto, praticou-se o reverso: o conjunto das matérias lê a sociedade a partir da esfera individual – e aí está, a meu ver, o principal limite do enfoque adotado/testado.
O enquadramento preferido para atacar o problema da obesidade foi a dimensão psicológica, que nem sempre precisa ser fútil (como o faz crer, por vezes, o telejornal da hora do almoço), certamente, mas também está longe de ser a única. Basta ver como essa interpretação é valorizada nos títulos:

Preconceito contra obesos leva a isolamento social e provoca doenças psicológicas
É preciso “trabalhar com valores, como respeito, paciência e tolerância”, diz pedagoga
Depressão é uma das doenças psicológicas mais comuns entre obesos

A estrutura da reportagem da semana leva a crer (ou promete!) que um tema será ali desdobrado, abordado nas múltiplas determinações. Em geral, tem funcionado dessa forma no Portal. Mas desta vez o material ‘psicologizou’ um problema social, dado o enfoque sobre tema.

E quais os ‘sintomas’ desse enfoque (viciado)?

- ênfase no aspecto individual do comportamento (vontade pessoal). Isso é diferente de investigar onde é que certas ações aparentemente individuais ganham respaldo ou tensionam práticas institucionais. A entrevista com a pedagoga tenta fazer esse enlace, quando insinua que tolerância passa por aprendizado, necessariamente social. Mas é pouco. Talvez a fala da fonte aí muito situada no ambiente da educação privada não tenha permitido explorar uma questão afim: na educação municipal básica, o que existe de orientação a respeito? Pois aí estaríamos, como leitores, interessados em saber onde uma vontade geral (tratar sem preconceito) se institucionaliza. Algumas situações cotidianas permitem ‘ler’ essa zona de tensão entre o problema aparentemente individual, ainda que seja classificado como “doença”, e social - quando se tem dificuldade para passar na roleta do ônibus, sentar na cadeira do cinema, do banco, esperar em pé em filas...

- o editorial sinaliza, ao final, para a questão das políticas públicas específicas, mas nem o texto nem o conjunto das matérias acabam respondendo por isso, que seria um dos principais ‘ganchos’ para a reportagem. Quais os planos de PG para a saúde pública? E a obesidade faz parte dessa cartilha? Faltam estatísticas que sinalizem a incidência do problema. Afinal, o sistema público de saúde realiza a referida cirurgia? Com que freqüência? Quais os riscos? Quantas foram as campanhas preventivas mobilizadas até agora? Como se vê, o problema pede alçada mais ampla e não é de responsabilidade exclusiva das revistas femininas como (parece) gostaríamos. O editorial precisaria pontuar uma questão da atualidade para, aí sim, argumentar.

- há um comentário de uma das fontes sobre a cirurgia pelo SUS e a demora em conseguir. Ali estaria um possível novo enfoque para o tema, mas que ‘passou batido’.

Ainda assim, há que se considerar a relevância de se colocar e desenvolver o olhar sobre o (problemático) tema na agenda midiática. O que é digno dos mais variados esforços e não ação de simples reflexo de acontecimentos, como se o trabalho do jornalista fosse automático e não um cotidiano repensar de estratégias para identificar e narrar a presente ação humana. A formação em Jornalismo tem a ver, também, com esse espaço de ensaio e treinamento que nos permita (como sociedade) dispor de informações precisas e enfoques renovados/ousados/pertinentes sobre o modo de vida contemporâneo (em nada consensual).

O que se chamou aqui de ‘psicologização de um drama social/público’ não esgota, portanto, a valiosa tentativa da cobertura dos estudantes, que precisam seguidamente enfrentar jornalisticamente temas complexos. Esse enfoque, aliás, é muito presente na cobertura, em geral, de outros temas, como depressão e até mesmo emprego (!) – quando se enfatiza que depende da boa aparência do candidato na hora da entrevista, entre outras variações interpretativas midiáticas...

Por fim, vale frisar, concatenar outros “quadros interpretativos”, para roubar expressão do sociólogo canadense Erving Goffman muito cara à teoria do jornalismo, ultrapassa obviamente uma questão de maldade ou má vontade de repórteres e editores. Implica domínio de saberes específicos do campo jornalístico - de reconhecimento, procedimento e narração, como relembra o professor Nelson Traquina. Logo, é justamente no tempo/espaço da formação acadêmica que tais competências de olhar o mundo a partir do interesse público – e assim selecionar ocorrências, fontes, mas também enfoques – devem ser moduladas, experimentadas, debatidas e pesquisadas.

Links com precisão cirúrgica

O trabalho com links avançou em relação às semanas anteriores e a matéria especial reflete esse esforço em mesclar continuidades internas (do próprio Portal) e externas (de outros sites e endereços). Caberia pensar apenas na possibilidade de melhor precisar quando se trata de matéria de arquivo ou atual (algum sinal gráfico poderia acompanhar a chamada, talvez). O mesmo vale para o link de áudio com a entrevista (na página da matéria, falta o link). A chamada leva a entender que é possível ouvir no site mesmo (em streaming). No entanto, é preciso baixar o arquivo MP3. Dada as inúmeras possibilidades de clique do internauta, ele precisa saber exatamente onde está indo parar em cada link, como frisa o pesquisador José Pinho.

Rafael Schoenherr (rafaelschoenherr@hotmail.com)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

As pessoas em suas causas, vidas e iniciativas (mais ou menos polêmicas)

O jornalismo em Ponta Grossa possui evidentes dificuldades para lidar com histórias de vida, que se expressam ora no tom piegas que assumem certos relatos (como se o leitor, ouvinte ou telespectador devesse sentir pena do entrevistado), ora no tratamento folclórico da diferença humana (em geral quando o repórter descobre que a cidade vai além do trajeto entre a casa e o trabalho e fica então maravilhado).
Uma terceira variação do problema seria a utilização meramente ilustrativa das ‘vozes do povo’ para reforçar teses ou polarizações previstas pela estrutura do texto e da pauta (governo x cidadãos, autoridades x anônimos, poderosos x excluídos, mundo oficial x pessoas comuns, prefeitura x ONGs), sem efetivos resultados sobre o tratamento a um determinado aspecto da realidade que se decidiu converter em notícia de interesse.
Tais dificuldades são enfrentadas pelo jornalismo contemporâneo, não são exclusividade dos periódicos princesinos. O que parece específico da nossa cobertura informativa é que sequer se enfrenta tal problema por aqui. A questão não está na ordem do dia das decisões sobre produção jornalística da cidade – é encarada de canto, mais na perspectiva de ‘se sobrasse espaço...’, ou ‘se tivéssemos um caderno de cultura’.... aí sim!
O que o Portal Comunitário parece sinalizar desde a semana passada (de 31 de maio a 6 de junho) é que a variação nos formatos pode sim ter a ver com tentativas jornalísticas de ampliação do debate público sobre temas de relevância nos rumos da cidade.
O indivíduo em causa coletiva
O recurso adicional do perfil (de trabalhadores, voluntários ou envolvidos nas causas retratadas) foi um dos formatos utilizados na reportagem da semana, sobre as práticas musicais com crianças no Grupo Reviver. Como complemento informativo, o relato dos trajetos de vida de determinado indivíduo da comunidade é um dos mecanismos para uma possível humanização das pautas e para a justa compreensão de que projetos, ONGs, associações, ações políticas e movimentos não possuem vida própria, mas resultam de pessoas que decidiram sair de casa e fazer alguma diferença para as comunidades, nas suas mais variadas causas.
Interessante notar que além do texto de perfil, a reportagem da semana contou também com entrevista direta com especialista (outra variação discursiva na construção do acontecimento). Houve também ampliação no uso de fotos no Portal, como na matéria que registrou evento de formatura de costureiras do Grupo Reviver (momentos marcantes para as entidades que, muito provavelmente, ficariam sem registro público não fosse a ação da reportagem em busca dessas pequenas histórias).
Claro que a história do indivíduo não desobriga o repórter de procurar marcas e ações estruturais ou institucionais. Dada a tensão entre esfera individual e coletiva (organizadora da vida política, cultural e comunitária), cabe mais uma lista de questões na abordagem da realidade pelo ângulo do perfil do que recomendações fechadas ao repórter.
O leitor do texto final pode se interessar pelo perfil para tentar entender em que medida certos esforços individuais são estimulados ou limitados pelo poder público ou pelo mundo institucional. De que forma se deram as escolhas que ligaram o indivíduo a uma causa coletiva? Quais expectativas nutre tal personagem? Como costuma ver e levar, de modo único, as coisas da vida? Que dúvidas possui sobre os rumos da cidade e de seu bairro? Como se vê, para isso não precisarmos recair em exaltações de heroísmos ou na criação simbólica a cada manhã de pessoas ‘sempre de bem com a vida’. As causas são mais humanas e cotidianas que isso.
Obras públicas paradas, deterioradas e saúde
Na sexta-feira, o Portal Comunitário noticiou obra parada na Vila Santa Paula. A Prefeitura não prestou os devidos esclarecimentos sobre o andamento da construção do Centro de Atendimento à Saúde. A equipe de reportagem deve pensar saídas em tais casos para não ficar... parada diante de tal impasse informativo. Vale acompanhar desdobramentos e cobrar satisfações mais claras, no mínimo, ao contribuinte.
O site http://www.foconaobra.pr.gov.br/, do Governo do Estado, permite ao cidadão fiscalizar obras em execução e finalizadas/entregues. Que mecanismo a Secretaria Municipal de Obras utiliza para tal fim? Temos algum recurso de informação pública para além da placa da Prefeitura no terreno? Entre outros recursos na web, a transformação do tema em pauta regular pode estimular a participação do leitor na denúncia de irregularidades em obras, fiscalização do andamento e destinação, portanto, do dinheiro público.
Na terça-feira o Portal destacou situação precária da estrutura do Colégio Santa Maria – “O crescimento da comunidade não foi acompanhado pela estrutura do colégio, que hoje apresenta problemas sérios’, informou a matéria. No entanto, não foram repassados ao leitor dados que melhor elucidem tal crescimento, o que reforçaria ainda mais o apelo singular do fenômeno como notícia.
Já no texto que anuncia encontro para amanhã entre Obesos Alerta e Secretaria Municipal de Saúde, faltou pontuar o que há de políticas públicas voltadas para esse problema. Trata-se de breve contextualização que melhor funciona no sentido de agendar a discussão e preparar para o referido encontro (seguido de nova cobertura, espera-se).
Navegação
Pode-se notar desde a semana passada duas mudanças em termos de navegação no Portal. A primeira refere-se à listagem ao pé da primeira página de chamadas para matérias mais atuais. Isso reduz a necessidade de ‘virar’ a página para conferir textos da semana imediatamente anterior, por exemplo.
A segunda alteração é a utilização mais freqüente de links dentro das matérias e ao fim dos textos, como sugestão de complementação e aprofundamento de informações. Cabe apenas agora o cuidado na hora de encaminhar o leitor aos links externos, sinalizando onde exatamente ele vai parar ao clicar. Caso contrário, tem-se a impressão de que todos os títulos indicados são matérias atuais do próprio Portal. Em alguns sites isso é feito com o recurso de janela que abre quando se passa o ponteiro do mouse sobre determinada palavra.
Reconhecimento
Na última sexta-feira, mesma data do evento de relançamento do Portal Comunitário na Câmara Municipal de Ponta Grossa, o projeto do curso de Jornalismo da UEPG recebeu prêmio de melhor jornal-laboratório online no 14° Prêmio Sangue Novo do Jornalismo Paranaense.
Rafael Schoenherr

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Continuidades do debate público: abrangência e presença na área da organização comunitária

Este comentário de ombudsman circula excepcionalmente na quarta-feira e pretende avaliar a semana de 24 a 30 de maio, mas também faz breves apontamentos com base no balanço da produção do Portal Comunitário no mês de maio. Vários leitores escreveram ao ombudsman ou comentaram no blog cobrando atualização (prevista sempre para segunda-feira), o que além de legítimo é bom sinal de respaldo junto aos interlocutores, produtores diretos ou não.
Variações e sugestivos desdobramentos da cobertura na última semana de maio
Um indício de retorno sobre as avaliações feitas neste espaço e que reforçam o caráter produtivo aqui defendido para a crítica de mídia é a visível melhora na exploração de links nas matérias da última semana.
Bom exemplo disso é a matéria de quarta-feira sobre estratégias de visibilidade do Fórum Social em Defesa de Políticas Públicas. O recurso de links possibilita a leitura do histórico do acontecimento em diferentes frentes – é possível relembrar assim, por tabela, o aumento no transporte coletivo, as origens da polêmica sobre a controversa implantação do novo aterro e o próprio lançamento do Fórum Social.
Em outras palavras, numa linha muito diferente das acusações simplistas que desacreditam qualquer política ou forma de organização social em função da suposta falta de envolvimento ou encanto popular, o Portal vai montando, a seu modo, um pouco da história (relativamente recente) das diversas entidades de atuação de interesse coletivo em Ponta Grossa. E isso implica registrar, recuperar e acompanhar a trajetória dos acontecimentos, em alguns casos até sinalizando possíveis desdobramentos.
É assim com a questão do lixo, em que a preocupação legítima com novos impactos e danos ambientais pode orientar diversas pautas que retratem mas também projetem o debate público. Afinal, isso tem a ver com qualidade de vida aos moradores. E, para aproveitar outro jargão, sempre há uma comunidade mais próxima do problema que ‘paga o pato’ por decisões apressadas...
O acompanhamento continuado da questão do novo aterro – e o tema da produção e destinação do lixo na cidade – pede, por parte das equipes de reportagem, agilidade no retrabalhar de pautas e investidas em dados históricos (do fenômeno e também do arquivo de matérias e declarações ou promessas). Em contrapartida, o que se oferece ao leitor é algo bem diferente daquela improdutiva visão, a essa altura, de que ‘não vai dar em nada’, ‘não adianta fazer nada pois já está decidido’. Com a vida pública, quase tudo está ainda por se decidir, melhor assim.
Acerta o Portal, portanto, quando não deixa morrer temas caros demais ao bem-estar coletivo. Pode variar a angulação, mas o tema vai sendo quase que didaticamente esmiuçado – quando é indicado o elo entre as partes do acontecimento. Nesse sentido, uma das pautas ‘quicando na área’, na ponta do consumidor, é a questão da separação e reciclagem do lixo, ainda muito tímida por esses lados (como hábito e também política pública urgente).
Um mapa da várzea ponta-grossense é possível?
Enquanto um periódico da cidade estampa foto oficialesca do secretariado municipal no gramado do Germano Krüger aguardando anúncio de PG como sub-sede da Copa de 2014, lembro que o Portal tratou na segunda-feira (25) oportunamente de um campo de futebol que nem gramado ou saibro tem, conforme alegam os moradores/praticantes da Vila Ricci. A voz oficial ouvida pela reportagem curiosamente joga a responsabilidade pela manutenção do espaço aos próprios moradores.
Caberia estender o debate sobre até onde podem atuar cidadãos e poder público para a resolução de um problema simples: manutenção de espaços de lazer nos bairros com um mínimo de segurança e conforto.
Em termos de desdobramento temático, a matéria aguça a curiosidade do leitor para ‘campinhos’ espalhados pelos bairros onde o espaço funciona bem e a turma se encontra no fim de semana. Ainda mais provocativo e jornalístico do que certos enfoques sobre esporte que lemos por aí seria pensar em uma agenda dos jogos de várzea ou de pequenos campeonatos.
Nos dois casos, da matéria sobre um campinho em situação de abandono e da possível acompanhamento de jogos pelos bairros, um dos recursos (gratuitos) que a web possibilita é linkar ou acoplar um mapa que indique onde estão precisamente tais locais.
Notícias digitais da Câmara
A semana passada contou com atualização da seção Notícias da Câmara, com válida matéria sobre a pouca utilização da internet por representantes do legislativo para divulgação de projetos e ações. Por mais que uma das fontes diga que o site da Câmara é “inoperante” – realmente deixa a desejar em vários aspectos -, valeria mencionar serviços que estão ali disponíveis ao cidadão. É possível fazer buscas e consultar leis, além de encontrar atas das sessões e o regimento interno da casa. Há pouquíssimo tempo, era preciso ir até a Câmara para retirar fotocópia de tais documentos (públicos) quando necessário. Então vale o registro.
Para onde olhou e nos levou o Portal no mês de maio
Já foi dito aqui sobre o forte ritmo de publicação que o portal imprime para uma produção laboratorial - em maio a média foi de praticamente uma matéria por dia (o que rendeu quatro correções em ‘Erramos’). Há um ganho por parte do leitor, que pode desenvolver afinidades com o espaço e o costume de leitura continuada. Há também aprendizados interessantes na produção quando se trabalha com prazos determinados capazes de garantir tal atualização. Nesse sentido, trata-se de uma inovação em relação às formas de promover comunicação comunitária (nem sempre tão sistemáticas assim, por motivos diversos).
Ainda assim, um dos problemas que precisa ser resolvido é o retrabalhar de fontes. Na semana passada, a matéria sobre a Jornada de Agroecologia, na sexta-feira, ouve apenas o MST. Poderia contar com mais envolvidos/interessados – até para uma visão mais ampla sobre o evento, que pareceu importante – apesar da leitura limitada do texto. Outro problema residual nas matérias do mês é a padronização de valores (R$ ou reais?) e números (15 ou quinze?).
Uma das opções de navegação pelo Portal é acessar as matérias, no lado esquerdo, a partir dos temas, entidades, sindicatos e bairros – como se fossem as editorias de um jornal (que direcionam, aliás, a leitura, mas também a produção).
Bairros
A tomar por tais categorias, o bairro que mais recebeu matérias em maio foi o Jardim Carvalho (2), seguido de Boa Vista (1), Contorno (1), Órfãs (1) e Colônia Dona Luiza (1). Não aparecem matérias do maio referentes aos bairros Estrela, Neves, Nova Rússia, Oficinas, Olarias e Uvaranas.
Sindicatos
Entre os sindicatos, os que mais arquivaram matérias (2) de maio foram SindServ, Sindehtur e Comerciários. Vigilantes, Metalúrgico, Correios, Asseio e Conservação e APP ficaram com uma citação cada. Não receberam cobertura Frentistas, SindBeb, Bancários e Aposentados.
Entidades
Muito em função das discussões sobre o novo aterro, estiveram à frente na cobertura do mês de maio, por entidade, o Fórum Social (3) e o Grupo Fauna (3). Com duas menções aparecem Grupo Reviver e Apedevi. As entidades Você consegue e Obesos Alerta tiveram uma matéria relacionada cada. Uampg, Movimento Hip Hop, Ilê de Bamba, Grupo Renascer, Apedef e ADFPG não tiveram matérias.
Reportagens da semana
Quando clica nas opções abaixo de Reportagem, na barra da lateral esquerda, o leitor pode estranhar pela pouca quantidade de textos por temas. Na verdade, percebe-se então que ali estão arquivadas apenas as reportagens especiais (da semana). Foram duas sobre educação, uma sobre sociedade civil e outra sobre meio ambiente. As outras categorias temáticas são saúde, saneamento, política, esportes, economia e cultura e história.
Rafael Schoenherr