quarta-feira, 29 de abril de 2009

Destaque para os links

Nos textos publicados nos últimos dias no Portal Comunitário, percebe-se que a equipe se preocupou em indicar caminhos de leitura para o conteúdo do site. Em todos os textos, há links para matérias anteriores sobre o mesmo assunto ou sobre temas afins, que guardam alguma relação com a questão.

Este recurso de linkagem, que possibilita a criação do hipertexto – uma característica do jornalismo on-line – está sendo explorado pela equipe e traz ganhos aos leitores, que localizam com maior facilidade os conteúdos relacionados aos assuntos de interesse.

Encontram-se links, com suas respectivas datas, nas matérias sobre o ginásio da Palmeirinha, o evento AbrilProRapPG, a reunião do COMDEMA e a campanha sobre assédio moral. Com este recurso, pode-se explorar melhor o trabalho desenvolvido pelo Portal, ao longo de suas edições.

Por Karina Janz Woitowicz

terça-feira, 28 de abril de 2009

Cobertura de eventos da comunidade

O Portal também está investindo na cobertura de eventos da comunidade, valorizando assim a interação com o cenário local. A matéria sobre o evento de Hip Hop que ocorreu no último domingo (AbrilProRapPG), que é também tema do editorial, já havia sido pautada pela equipe na semana anterior. Ao acompanhar o evento e mostrar sua importância para a quebra de preconceito em relação à ‘cultura da periferia’ em Ponta Grossa, a equipe mostrou que não se trata apenas de divulgar o evento, mas também abrir uma discussão sobre o hip hop como uma manifestação cultural.
Também com esta proposta de acompanhamento dos assuntos pautados pelo Portal, a cobertura do Torneio de Futebol Suíço da Maria Otília reforça o compromisso de valorização do local e o caráter de envolvimento com a comunidade propostos pelo projeto.

Por Karina Janz Woitowicz

Mais apuração

Na matéria sobre a reunião do Conselho Municipal de Meio Ambiente, faltaram informações aos leitores para melhor contextualizar a discussão sobre a construção de um aterro sanitário. O texto relata como aconteceu a reunião e destaca a participação da comunidade no debate sobre o assunto, mas não oferece elementos suficientes para compreender os impasses que envolvem o problema.

Mesmo que os relatórios ainda não tenham sido analisados – o que só deve ocorrer em reunião que acontecerá nesta semana - há uma discussão sobre o que implica a construção de um aterro que não foi mencionada. O que se espera dos relatórios de impacto ambiental? Quais os posicionamentos a respeito da construção do aterro sanitário? Como a comunidade será atingida? Quais os possíveis danos para o meio ambiente?

Uma questão como esta, de interesse público, merece um tratamento mais completo em seus desdobramentos futuros.

Por Karina Janz Woitowicz

quinta-feira, 23 de abril de 2009

De olho no cenário político

O destaque da última semana no Portal Comunitário foi para a seção “Notícias da Câmara”, que ofereceu aos leitores e leitoras um panorama sobre a CPI da Ronda, assunto este que agitou o cenário político local desde novembro de 2008, quando o Jornal da Manhã denunciou o caso, e ganhou repercussão no mês de março deste ano, quando foi instaurada a CPI. Entretanto, conforme observação do próprio autor das denúncias, o assunto foi silenciado pela maioria dos veículos de comunicação, que trataram a questão com superficialidade. Afinal, sabe-se bem como são estreitas as relações entre o poder público e a mídia...

Na cobertura do Portal, são mencionadas as irregularidades do governo Wosgrau, que deram origem à investigação, e o trabalho da CPI no recolhimento de depoimentos de testemunhas sobre o caso. Como surgiram as denúncias, quais foram as motivações para a elaboração do dossiê contra o prefeito Pedro Wosgrau Filho e aspectos da política no município foram tratados através de uma entrevista com o jornalista Sebastião Neto, autor das denúncias. Ao apostar neste formato jornalístico, a equipe do Portal permitiu complementar as informações apresentadas nas matérias, a partir do ponto de vista de um dos atores deste cenário político.

Observo que a equipe acertou não apenas por utilizar o formato de entrevista (no modelo pergunta/resposta) para trazer informações sobre a CPI, mas também por conduzir o diálogo com o cuidado necessário para demarcar o ‘lugar de fala’ de Sebastião Neto, no contexto político de Ponta Grossa.

Como o assunto irá permanecer em pauta por algum tempo, até que a investigação apresente resultados, o Portal Comunitário deve permanecer de olho nas movimentações que envolvem a CPI e apostar em uma cobertura que possa oferecer uma profunda contextualização sobre o assunto, uma vez que as irregularidades na administração municipal constituem um tema de interesse público. Historicizar o caso, acompanhar as investigações e oferecer informações consistentes sobre o assunto devem ser compromissos assumidos pela equipe, na cobertura do que acontece na Câmara de Vereadores de Ponta Grossa.

Por Karina Janz Woitowicz

E o debate sobre as políticas de comunicação?

A matéria sobre a Rádio Liberdade, mantida pelo MST, poderia ser uma oportunidade para tocar na questão da criminalização da prática das rádios livres e comunitárias, dentro das políticas de comunicação vigentes.

Para os leitores que não conhecem as diferenças entre rádios comerciais, rádios comunitárias e rádios livres, faltou apresentar uma caracterização destes veículos e o debate, mesmo que de forma pontual, sobre os limites da legislação sobre radiodifusão no Brasil. Afinal, tais experiências de mídia, como a Rádio Liberdade, constituem espaços legítimos de luta pela democratização da comunicação e se traduzem em um importante movimento pelo direito de comunicar, que acontece em todo país. Ou seja, esta rádio se insere em um contexto mais amplo de fortalecimento da comunicação comunitária, que é defendida na proposta do Portal e deveria ser abordada na matéria.

Além disso, fica a dúvida se a divulgação das atividades da rádio pelo site não poderia comprometer os responsáveis pela emissora, uma vez que, aos olhos da Anatel, esta é uma prática ilegal, que costuma ser tratada como caso de polícia. O MST e o Portal atentaram para isso?

Por Karina Janz Woitowicz

Sobre os links

Em algumas matérias publicadas no Portal Comunitário, o recurso dos links poderia ser valorizado, como na reportagem sobre o posto de saúde da Palmeirinha. Como este mesmo assunto já foi discutido em outras localidades, a disponibilização de matérias ligadas ao atendimento nos postos de saúde poderia complementar a leitura, situando melhor o problema no município.

O mesmo vale para a matéria sobre a sede da Associação de Moradores de Olarias, que já foi assunto da reportagem do Portal no ano passado. As duas matérias praticamente se contradizem, por isso valeria retomar as informações apresentadas nos textos.
Sobre a saída do circo Troy/Pantanal e a sujeira que ficou no local, um leitor indicou a inserção do link sobre a proibição da exibição de animais em circos em Ponta Grossa, e a equipe atendeu prontamente a sugestão.

Por Karina Janz Woitowicz

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Da comunicação à ação, ou comunicação para a ação

Conforme observa Cicília Peruzzo, autora do campo da comunicação popular e comunitária, a comunicação comunitária apresenta um caráter de mobilização coletiva, uma vez que a ação é perpassada por canais de comunicação com conteúdo crítico e emancipador.

É neste sentido que se pode dizer que noticiar fatos e problemas envolvendo a comunidade e as entidades sociais de Ponta Grossa é uma forma de agir no contexto local, dando visibilidade a certas questões, problematizando outras, criticando determinadas políticas e assumindo posições de defesa dos interesses coletivos.

Conhecer a realidade é o primeiro passo para participar ativamente da vida social. E esta é uma importante contribuição que o Portal Comunitário vem oferecer junto aos grupos e organizações do município. O fortalecimento do diálogo e a aproximação com as entidades podem ser observados ao longo do trabalho no projeto, quando foram pautados assuntos que permanecem invisíveis para a grande maioria dos meios de comunicação e para a sociedade em geral.

Em muitos casos, pautar tais assuntos, assumindo posições de comprometimento com a comunidade, representou uma ação efetiva no sentido de cobrar soluções e incentivar a participação coletiva. Este é o diferencial e a razão de existência do Portal, que se consolida a cada dia.

Nas matérias da última semana, destaca-se a aproximação com diferentes categorias de trabalhadores, através dos seus sindicatos: reivindicações trabalhistas do Sindicato dos Empregados em Postos de Combustíveis e Petróleo de Ponta Grossa e Região, cursos de qualificação profissional do Sindicato dos Metalúrgicos, compromissos e expectativas do Sindicato dos Aposentados e do Sindicato dos Professores ganharam espaço no Portal Comunitário. A equipe tem valorizado as vozes dos trabalhadores de forma sistemática nos conteúdos publicados no site, e já produziu algumas reportagens especiais, em 2008, enfocando o cotidiano, as dificuldades e as reivindicações de certas categorias de trabalhadores.

Certamente, os leitores e leitoras esperam que esta sintonia continue norteando o trabalho do Portal, seja na aproximação com o universo sindical ou com as mais diversas entidades e movimentos sociais, como o Acampamento Emiliano Zapata (MST), ADFPG, Obesos Alerta, Apadevi e Renascer (pautados na semana que passou) e outros que encontram no site um espaço para dar visibilidade aos seus interesses e lutas.

Por Karina Janz Woitowicz

E os editoriais?

O espaço de opinião de um veículo é muito importante para explicitar sua linha editorial e, em algumas situações, reforçar posicionamentos e até complementar ou destacar aspectos trabalhados nas matérias informativas.

Os editoriais publicados no Portal sempre buscam chamar a atenção para determinado assunto, assumindo a posição de defesa dos interesses da comunidade ou orientando a leitura de determinados conteúdos.

Pode-se observar que os editoriais do Portal Comunitário foram publicados semanalmente, mesmo no período do recesso acadêmico, até o início de março deste ano. O último texto publicado neste espaço, referente à reportagem sobre a capoeira, foi publicado em 7 de março. Passado mais de um mês, cabe a pergunta: onde estão os editoriais?

Por Karina Janz Woitowicz

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Nova fase do Portal Comunitário: avanços e desafios

Depois de um período de recesso – em que o Portal Comunitário continuou no ar, embora com uma produção menos constante – a equipe retoma o projeto com algumas novidades e desafios. Uma nova página, uma equipe de estudantes renovada e melhores condições técnicas e estruturais para dar continuidade ao projeto. Além disso, há a experiência acumulada desde o início do Portal, que permite identificar limites, promover mudanças e fortalecer as ações do projeto. Por tudo isso, o recomeço é marcado por expectativas.

A nova apresentação da página, com a organização das editorias nas laterais direita e esquerda, tornou mais fácil a visualização do conteúdo. O percurso dentro do site se mostra rápido e as seções são identificadas com facilidade. E, mesmo com tantas informações, a página não ficou poluída. Há, portanto, uma significativa melhora na apresentação visual do Portal.

Outra novidade é a seção “Notícias da Câmara”, com a cobertura política dos acontecimentos da Câmara de Vereadores de Ponta Grossa. Espera-se que este se torne um espaço para acompanhamento sistemático do cenário político local, de modo a divulgar fatos e problematizar questões de interesse público. Antes, o Portal apenas divulgava a pauta da Câmara; agora, se compromete também a acompanhar de perto a vida política, mediando tais informações para o púbico a que se destina: grupos, associações e movimentos sociais.

Apenas um detalhe sobre esta nova editoria: diferentemente das demais, não consta a data da produção dos textos. Embora as matérias façam referências temporais, este é um dado importante para ‘situar’ a leitura. Fica a dica!

Por Karina Janz Woitowicz

Destaque para problemas sócio-ambientais

Do final de 2008 até agora, foram publicadas diversas reportagens especiais no Portal, que apostam em um tratamento mais amplo e complexo dos temas. Vale destacar as diversas matérias publicadas sobre os problemas de esgoto e poluição, com um enfoque comprometido com o meio ambiente e com as condições de vida das pessoas. É o caso da reportagem sobre a desocupação das áreas de risco em Olarias, que apresenta o problema e mostra o “outro lado” da questão, assumindo uma posição de defesa dos moradores.

Em qualquer outro veículo, poderia se esperar o viés de criminalização da prática de ocupação das áreas pelos ‘invasores’. Mas, em uma perspectiva da comunicação comunitária, é o reconhecimento das dificuldades enfrentadas por essas pessoas que dá o tom da matéria. Isso fica claro no editorial, que assume explicitamente o seu ‘lugar de fala’: “Rotular a população como invasora e colocar a culpa em quem muitas vezes acaba não tendo conhecimento de seus direitos é mais fácil do que assumir que o município não tem estrutura nem política habitacional capaz de solucionar os problemas que permanecem há muito tempo sem resolver.”

É este enfrentamento e a exposição de outros pontos de vista, mais humanizados, sobre o assunto, que revelam o diferencial do Portal.

Neste sentido, também merecem destaque outras reportagens especiais publicadas no período: sobre o problema de esgoto no Jardim Esplanada, que oferece vários links sobre saneamento básico em outras localidades da cidade, complementando a discussão, e sobre a “vida às margens”, que também aborda a questão da poluição ambiental, enfocando a situação de vida dos moradores das áreas de fundo de vale.

O conjunto das matérias mostra que existe uma coerência no tratamento do tema pela equipe do Portal, o que contribui para fortalecer o trabalho desenvolvido, na perspectiva da comunicação comunitária.

Por Karina Janz Woitowicz

Mais reportagens especiais

Vale observar que as matérias em profundidade trabalhadas no Portal Comunitário têm se destacado pela escolha de pautas diferenciadas, que na maioria das vezes constituem temas praticamente invisíveis, ou seja, que dificilmente são tratados jornalisticamente. A reportagem sobre as condições de trabalho das varredeiras e dos coletores, diante da sobrecarga de lixo acumulado nos finais de semana, é exemplo disso, pois parte do cotidiano destes trabalhadores e das dificuldades por eles enfrentadas.

Também a reportagem sobre a capoeira, que é rica em elementos históricos e esclarece sobre aspectos como as origens e as características desta expressão cultural legitimamente brasileira, oferece elementos que permitem valorizar a cultura popular.

E, nas matérias sobre a agroecologia, ganha espaço uma outra visão sobre a produção agrícola, respaldada na experiência de assentamentos do MST e no princípio de exploração consciente dos recursos naturais.

O diferencial, portanto, está no olhar comprometido com os mais diversos setores da sociedade civil organizada. E é este caminho, já reconhecido no trabalho do Portal, que se espera encontrar nesta nova fase do projeto.

Por Karina Janz Woitowicz

O preconceito nas palavras

Na série de reportagens sobre a capoeira, que tem como objetivo desmistificar preconceitos em relação a esta manifestação cultural, há um link sobre “batuque” que recai em uma expressão que é usada equivocadamente.

O batuque é definido como uma “cerimônia religiosa semelhante ao candomblé ou à macumba” (no Rio Grande de Sul). Penso que o correto seria: cerimônia religiosa semelhante ao candomblé ou à umbanda. Pelo que sei, macumba não é uma cerimônia religiosa. Ainda que “macumba” seja confundida com os cultos de origem afro-brasileira, os praticantes e seguidores dessas religiões recusarim o uso desta palavra para designá-las, por considerarem pejorativa.

Destaco este aspecto para que possamos refletir um pouco sobre o significado que certas palavras podem assumir, para além das nossas intenções.

Por Karina Janz Woitowicz

Sobre os vídeos

Os vídeos disponibilizados no site, acompanhando algumas reportagens, são um importante recurso que passou a integrar, de forma cada vez mais constante, a produção jornalística do Portal. Ao todo, são 24 vídeos disponíveis até o momento, o que revela uma produção significativa de matérias neste formato. Mas, embora eles sejam, na maioria das vezes, interessantes e bem elaborados (com destaque para o vídeo dividido em duas partes sobre agroecologia), ainda apresentam alguns problemas.

Uma leitora do Portal já mencionou algumas dificuldades, como a demora para abri-los e a qualidade técnica das imagens, sugerindo algumas coisas que poderiam melhorar o uso deste suporte no trabalho da equipe. Além disso, observa-se que alguns vídeos parecem não estar concluídos, pois terminam abruptamente (como as matérias sobre o trabalho social do grupo Renascer, sobre o trabalho de limpeza das ruas e a posição do Siemaco, entre outros). E há ainda alguns problemas de áudio que, por vezes, comprometem a qualidade do trabalho (como na matéria da Farmácia da Partilha).

Sabemos que este é um espaço de aprendizado profissional e que as dificuldades são muitas. Mas fica a preocupação em tentar, ao máximo, aprimorar o uso de certas técnicas e linguagens.

Por Karina Janz Woitowicz

Breves observações

Algumas matérias publicadas no Portal sobre questões trabalhistas permitem observar que há uma preocupação da equipe em acompanhar os desdobramentos do fato. É o caso da matéria sobre o acordo salarial dos vigilantes e sobre as reivindicações dos trabalhadores das empresas de Correio, que mostraram como se desenvolveu a negociação, no primeiro caso, e a aprovação do indicativo de greve, no segundo. Este acompanhamento é fundamental para oferecer aos leitores informações bem contextualizadas e atuais.

Outras matérias prezam pelo caráter de orientação dos leitores e cidadãos. Na reportagem sobre iluminação pública na Serrinha, por exemplo, discute-se a cobrança por um serviço que não está disponível para a população e a própria ilegalidade das cobranças. Além de apresentar o problema, a matéria assume a defesa dos direitos dos cidadãos, indicando meios para proceder no caso de irregularidades. Esta é uma abordagem apropriada para um veículo com comprometimento social!

Porém, outras matérias pecam pelo limite de fontes. Entende-se a opção de valorizar as vozes de grupos, entidades, movimentos sociais e setores marginalizados. E a maioria das matérias do Portal consegue fazer isto, usando as chamadas ‘vozes oficiais’ como contraponto, ou como forma de esclarecimento sobre determinadas questões. Mas é preciso atentar para o risco de recair na superficialidade, quando deixam de ser consultadas outras fontes ligadas ao assunto. É o caso da matéria sobre a proibição de animais no circo. Somente o grupo Fauna foi ouvido. Gostaria de conhecer os argumentos dos responsáveis pelo circo... É claro que defendo que os animais não devem ser explorados em espetáculos, mas a parcialidade, neste caso, pode soar como matéria ‘institucional’.

Por Karina Janz Woitowicz