Neste período de recesso letivo, cabe uma avaliação parcial das principais contribuições do Portal Comunitário desde o início do ano. Será o caso de destacar, portanto, matérias que ‘funcionaram’ e que podem estimular continuidades e novas produções.
Parece-me que existem dois pontos fortes no desempenho regular do projeto:
- oferece informação útil para sustentação e desenvolvimento da vida comunitária;
- busca assumir o ponto de vista da comunidade e aí, então, repensa uma forma possível de fazer jornalismo.
Os dois vetores agem conectados, mas praticamente estão ausentes do atual mercado jornalístico da cidade e mesmo do estado, vale registrar. O que só aumenta a pertinência exploratória do Portal. Além de tematizar a vida comunitária, a iniciativa laboratorial busca caminhos para o jornalismo. Uma das expectativas é de que, com isso, processualmente, o internauta possa fazer uma leitura diferenciada e com maior autonomia do que acontece (ou deixa de acontecer) na cidade.
Em visão panorâmica, percebo que nesse sentido o Portal tenta resolver um dos desafios bem grafados pelo jornalista Ricardo Noblat, em A Arte de Fazer um Jornal Diário, com relação à crise dos jornais impressos. Um dos deveres do jornalista que o autor anuncia é com os cidadãos. “Não se deve ter vergonha de tomar partido deles” (p. 22). O mais comum é justamente redações e redações tomando partido de suas fontes governamentais – e com isso se sacrifica uma porção respeitável de leitores.
Entre outras orientações urgentes que donos de jornais e jornalistas estão “cansados de saber” (o que não significa praticar), Noblat elenca “humanizar o noticiário e abordar os temas pela ótica dos leitores”, bem como “interagir com os leitores e abrir mais espaço para que falem e sejam ouvidos” (p. 17). A preocupação do autor está mais centrada, efetivamente, no papel do jornal impresso diante das novas tecnologias de informação.
Curiosamente, o Portal tem assumido, assim, em boa medida o desafio de resolver um dos problemas do impresso na web – com matérias mais completas (na apuração e no texto), que tentam cercar o fato por diferentes ângulos. Ele não segue a linha de outros espaços similares na internet, que privilegiam o texto ‘enxuto’ e o acompanhamento fragmentado do mundo em tempo real. Em suma, as atividades deste projeto felizmente nos impedem de tomar o jornalismo digital como sempre rápido e episódico.
No próximo post, comentarei como esse acerto se dá no específico, ou seja, em determinadas reportagens.

Aguardamos o próximo post então.
ResponderExcluir