sexta-feira, 3 de julho de 2009

Múltiplas estratégias editoriais na captura (e defesa) do interesse público

Os pontos fortes da cobertura do Portal Comunitário na semana que passou (21 a 27 de junho) foram a diversidade temática e o equilíbrio entre o factual e matérias mais frias, de discussão e tematização. Destaca-se também a presença sistemática de material fotográfico e links ao arquivo, o que sugere regularidade na estruturação de uma 'leitura preferida' e facilita o trabalho de localização do internauta no espaço informativo.

A reportagem da semana trabalha dentro do tema cultura, na problematização de um movimento artístico. As matérias de quarta e sexta-feira tiveram por gancho acontecimentos recentes/factuais. Ainda houve notícia sobre situação de aparelhos do município, infra-estrutura de bairro e serviço de uma entidade.

Cabe assinalar, portanto, a variedade de estratégias editoriais em jogo que resultam nessa visão de um mosaico (coerente) dos acontecimentos de interesse comunitário em Ponta Grossa. Essa foi a principal marca de atuação do Portal durante a semana e acaba por entrar em sintonia com os debates do XII Seminário de Inverno de Estudos em Comuinicação, que termina hoje.

Uma ação de reportagem que funcionou foi a conexão com informações de arquivo no decorrer do texto. A própria reportagem trata de lembrar elementos pretéritos do acontecimento. Isso ajuda a construir melhor a categoria “particular”, que inclusive vai dar sentido ao aspecto “singular” dos fenômenos, para citar a perspectiva de Adelmo Genro Filho – em debate no primeiro dia do Seminário de Inverno.

O que faltou à reportagem especial da semana

- informações sobre a localização de tais grupos e manifestos hip hop pela cidade, dado o fator de forte identificação do movimento com a vida dos bairros;

- pluralidade de olhares sobre a questão do preconceito. Supermercados e shoppings são citados, porém não são consultados, até porque seria interessante ouvir eventuais justificativas ou explicações 'do lado de lá' (e em Ponta Grossa!). A falta dessa consulta tira um pouco da novidade do texto – daí o tom didático, lento e explicativo que predomina. As fontes não deixam, assim, de ser oficiais – para lembrar a discussão de ontem do professor Emersom Cervi no Seminário de Inverno. Saber como o 'outro' lida com certa manifestação ajuda a melhor discutir relevância e convivência de expressões do meio urbano. Na mesma levada, as rádios também poderiam ser ouvidas (inclusive as comunitárias);

- lembrar na fala do jornalista entrevistado que o Jornal da Manhã inaugurou (no mesmo domingo) uma página de cultura – o que realmente não ver a ser uma editoria, mas altera o tipo de cobertura.

- situar a produção discográfica e as possibilidade de gravação (estúdios), distribuição de registros e espaços para realização de shows.

- melhor embasar em dados concretos a percepção de preconceito (caso contrário, não estaríamos nós, como jornalistas, a reforçar uma visão e gerar uma situação viciante de 'gueto'?). Quem é, afinal, o interlocutor para o título do editorial?

- publicar letras de música do grupos locais. Seria uma possibilidade interessante, dada nossa baixa ou quase nunhuma limitação de espaço na web e também a importância que têm dentro da cultura hip hop.

O que funcionou na reportagem especial da semana

- rodízio de imagens na tela principal da matéria de abertura;

- utilização do gênero entrevista direta, com ponto de vista especializado;

- a própria pauta é digna de revisitas e ainda carece de abordagens na mídia local, principalmente pelo ângulo das limitações impostas na livre circulação pelo espaço público;

- a retranca específica com sugestão de sites sobre o movimento;

- a consutla a diversos grupos;
a recuperação do caso em Curitiba, em que um então novo shopping proibiu a circulação do que por lá se costuma chamar de 'vileiros'.

A mensagem fotográfica

A foto externa da Câmara presente na matéria de sexta-feira é uma das imagens mais repetidas do órgão nos noticiários locais. Talvez coubesse procurar outros ângulos, menos desgastados e mais informativos.

Nas margens do sentido

Uma das matérias da semana utilizou a expressão “atos de vandalismo”. Um vício do jornalismo, em geral. De que modo poderíamos começar a romper com tal generalização? Curiosamente, não raro ouvimos tal designação justamente para qualquer um que circule com roupas e estilos diferenciados pelo centro da cidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Manifeste sua opinião, dúvida ou observação.